Governo do Distrito Federal
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6/08/21 às 15h49 - Atualizado em 7/08/21 às 9h12

Dia dos Pais…

 

 

Os desafios de pai são bem singulares, cada um com seu ritmo. Tem aquele filho que vale por dois, aquele que desde cedo abraça responsabilidades, tem o artista, os gêmeos, o desenhista, o esportista, o especial, o nerd, e aquele que é a cópia do pai. Mas será que a rotina é semelhante? Como os pais modernos conciliam sua vida profissional com o acompanhamento dos filhos?

 

Conversamos com alguns pais da Casa Militar para conhecer um pouco das suas experiências.

 

O Servidor da Subchefia de Gestão de Serviços/SUSER, Rildo dos Santos Ferreira (47) conta um pouco sobre sua experiência com a paternidade. Ele tem 3 filhos: Gustavo (15) e as gêmeas Emily e Izabely (8). Ambas as gestações foram planejadas, porém, mesmo tendo casos na família, a Mãe Cristina e o pai Rildo não esperavam que teriam gêmeas na segunda.

 

“A chegada delas foi muito aguardada e sem dúvidas um dos maiores desafios da minha vida, um desafio duplo e diário. É um amor multiplicado e inexplicável”, contou Rildo.

 

Para ele, os filhos são os seus maiores tesouros. “Sou participante ativo em tudo na vida dos meus filhos. Acompanho de perto tudo que faz parte da vida deles, ajudo com tarefas, faço comida, lavo cabelo delas quando precisa, passeamos juntos”, assegurou.

 

O seu maior desafio como pai é preparar os filhos para serem pessoas dignas, responsáveis, que amem a Deus acima de tudo e de todos. Para o futuro, ele quer ter condições de dar sempre o melhor para eles, para que eles consigam realizar seus sonhos e objetivos.

 

Ao pensar em sua infância, Rildo se recorda que seu pai – Raimundo Ferreira – sempre trabalhou muito, e isso ele deixou como legado. Ele tenta equilibrar o aprendizado que recebeu, com aquilo que acredita ser correto para a educação dos filhos.

 

E registra um recado para seus pequenos: “Aos meus filhos eu digo que eles são a minha vida, minha força, meu coração fora do peito, que os amo mais do que a mim mesmo”.

 

Para a família Casa Militar é importante conhecer não apenas a competência profissional de seus servidores, mas também parte dos seus desafios diários, como é o caso de pais de crianças especiais, a exemplo do policial Sérvulo.

 

 

Sérvulo Batista (46) é formado em Administração com ênfase em recursos humanos e marketing. É Terceiro-sargento da Policial Militar com 19 anos de experiência e atualmente atua Diretoria de Segurança Pessoal da Casa Militar.

 

Ele vive a paternidade há 12 anos, com seu filho Lincon. Quando o pequeno completou dois anos, os pais receberam o diagnóstico de autismo. Nesse momento, devido a notícia inesperada, tiveram que passar por uma verdadeira adaptação. Desde então, a mãe Wanessa e o Pai Sérvulo procuraram conhecer e estudar o assunto para ajudar o desenvolvimento do filho. O que deu muito certo.

 

O estudo os ajudou a ter tranquilidade para enfrentar os desafios que viriam. Ele conta que para a criança autista, cada pequeno avanço é uma grande vitória, como falar, amarrar os sapatos sozinho, andar de bicicleta. “Os médicos disseram que ele nunca iria falar. Eu achei que andar de bicicleta seria impossível. Mas não desistimos. Eu estava lá na primeira vez que ele conseguiu dar a primeira volta de bike sozinho”, contou o sargento.

 

O surgimento da pandemia acabou causando uma regressão no desenvolvimento do filho. “São anos de avanços perdidos. Mas continuaremos a investir em nosso filho”, afirmou Sérvulo.

 

Como policial, Sérvulo acabou contraindo a Covid-19 e transmitindo ao filho, que pouco depois esteve na UTI por uma síndrome infantil desenvolvida em decorrência do coronavírus. “você pode imaginar o medo e a culpa que sentimos. Mas graças à Deus, ele se recuperou”, revelou.

 

Devido a profissão do pai, Lincon aprendeu a conviver com os barulhos e luzes da viatura, ele foi ensinado nos eventos militares e hoje gosta de participar. Para os autistas, barulhos altos provocam um incômodo forte, já que possuem a audição muito aguçada, especialmente com luzes associadas.

 

Quanto a rotina de pai, ele acredita que é bem diferente dos demais, por exigir um pouco mais de preparo e dedicação. A criança precisa ser avisada com antecedência antes de cada consulta, exame e vacina, por exemplo. Além disso, são muitos acompanhamentos, fonoaudiólogos, pedagogos, o que exige grande parte da renda familiar e tempo, já que não são integradas. Por isso, o pai não abre mão dos cuidados, como atividades físicas regulares, e seu check-up pessoal.

 

Ele define sua relação com o filho como formidável e recíproca: “meu filho é autista, ele não tem mentira, ele é literal, correto, simples e eu aprendi muito com ele a ter empatia, me colocar no lugar do outro, entender o outro lado da mente humana, entender e respeitar as diferenças”.

 

Para Sérvulo, ser pai é estar presente, compartilhar as conquistas e os erros com seu filho. Mostrar que a vida não é só acerto, e que tem que errar para aprender certas coisas. Ainda mais quando se tem um filho especial, então se redobra as atenções.

 

Ele recomenda a outros pais que fiquem atentos a suas crianças pequenas, pois a aceitação e conhecimento do assunto, farão toda a diferença na vida dos pais e no desenvolvimento do filho.

 

∇ Confira abaixo os principais sinais do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) que normalmente aparecem entre 12 e 24 meses de idade em diferentes graus e intensidade:

 

♦ Atraso no desenvolvimento da fala e posterior regressão da linguagem;

 

♦ Dificuldade na interação social;

 

♦ Comportamento repetitivo;

 

♦ Repertório restrito de interesses e atividades;